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Livro de lágrimas.... De breves contos cheios de magia e de fantástico..... De pequenos textos derramando sentimento e nostalgia....
“Os meninos nunca morrem”................ “E a estrada cheia de sonhos espalhados na berma, pedaços de ti, pedaços de vida desunidos, uma perna caindo do lençol, um bracinho branco escorregando dos dedos sem vida…. Pedaços de terra caiada de sangue a escorrerem da boca e da bola…. E a bola, cheia de lágrimas amarelas da cor da terra castanha, deixando cair uma perna e um bracinho sem vida…. E eu, ao lado do lençol sem branco, agarrando o teu bracinho pendente sem vida, sem dedos, passo-te a mão na cabeça adormecida e sussurro-te ao ouvido: Os putos nunca caem, os meninos nunca morrem...!”
Sabia agora que nunca mais se iria livrar daquele cheiro, era o cheiro da morte que de vez em quando lhe recordava o seu destino.… Estava a puxá-lo, estava-lhe gravado no sangue. Avançou para a macieira, sentou-se na cadeira onde contava passar os próximos vinte anos e foi nessa altura que o ouviu: No ramo mais alto, negro e imponente durante mais de vinte minutos cantou como nunca se ouvira um galo cantar, as mesmas canções e orações desconhecidas. Reparou que as galinhas mesmo mortas estremeciam e aconteceu-lhe o mesmo…Só que não estava morto ainda, pelo menos por enquanto, já que o cheiro ainda lhe chegava às narinas. Avançou lenta e calmamente de encontro ao destino, de encontro ao cheiro… Ficou pendurado com o mesmo sorriso sem graça nenhuma! Foi o avô quem, quatro dias depois o encontrou!
Chamo-me Vítor e ninguém me conhece… Nasci em Setembro de 1962, no Sítio da Fonte da Murta em S.Brás de Alportel. Moro em Santa Catarina da Fonte do Bispo. Também ninguém conhece a Fonte da Murta e poucos conhecerão Santa Catarina…
“ O Amor e a Neve................. Uma enxada cavalgando neve abria caminho no manto branco e parecia aquecer o apagado fogo. Chegada à porta e desviados os últimos montes a porta finalmente conseguiu-se abrir e chorando o meu pai e a minha mãe abraçaram-se…. Aconchegada na alcofa a minha irmã dormia. Eu cheguei uns bons anos depois… Faz cinquenta e cinco anos e nunca mais nevou na minha terra….É dia de feira! “